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VIDA DEPOIS DA MORTE

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VIDA DEPOIS DA MORTE

Mensagem  Raven Visago em Ter Nov 18, 2014 10:38 am

A Vida depois da morte na visão Ortodoxa




1) O primeiro ponto abordado é o significado da morte segundo a Igreja. O homem foi criado em um estado entre a mortalidade e a imortalidade, entre a corrupção e a incorrupção; isto é, Adão possuía em si a possibilidade de, ao obedecer o mandamento que lhe havia sido dado por Deus, prosseguir na imortalidade que lhe fora atribuída por Graça Divina até conquistá-la efetivamente. No entanto, ao se apartar da vontade divina, o homem passou pela experiência da morte espiritual [o obscurecimento do Nous, a faculdade mais elevada da alma e que lhe permitia discernir a essência das coisas criadas e se unir ao Espírito Divino, e a desordem de seus poderes psicossomáticos, ou seja, de suas paixões] e, como consequência desta, da morte física. Uma vez sob o domínio da morte, o diabo pôde se aproveitar deste novo estado para incitar ainda mais o desvio das paixões humanas. A Encarnação de Cristo, bem como Sua Paixão, Morte e Gloriosa Ressurreição, propiciou ao homem a possibilidade de quebrar os grilhões da morte, tanto espiritual quanto física. Embora esta última continue ocorrendo, seu sentido muda radicalmente por causa da esperança da futura Ressurreição geral.

Um parêntese: o autor indica como os Santos Padres ensinaram que a morte física também tem um aspecto positivo. Mais do que uma simples ''punição divina'' ao pecado, como é encarada comumente no Ocidente, trata-se de um bem retirado de um mal, pois permite que o homem decaído coloque fim aos seus pecados seja pelo simples limite temporal colocado à sobrevivência sobre a terra, seja por oferecer uma oportunidade de discernimento da impermanência de um mundo sem Deus e a consequente oportunidade de metanoia [arrependimento] na contemplação do próprio e no dos demais entes. É neste sentido que a morte [física] abre espaço para a vitória sobre a própria morte [espiritual], o que mais tarde será realizado plenamente pelo Cristo.

Depois destes esclarecimentos sobre o significado acima descrito, a obra passa a descrever as percepções do sujeito durante o processo de separação entre alma e corpo segundo o que se pode depreender das fontes ortodoxas. Os santos, em geral, viam como uma benção a existência de uma período de preparação para a morte, no qual o homem toma consciência gradual de seu estado e do fim da vida terrena que se aproxima. Esta é uma alternativa muito melhor do que falecer de repente, sem preparação, caso que pode ser traumático para o indivíduo. O período de preparação não apenas pode facilitar o desapego dos laços mundanos como também incentivar o arrependimento, crucial neste momento fundamental da existência em que estamos prestes a ficar diante do temível tribunal de Cristo.

O processo de separação do corpo e alma propicia uma série de percepções 'sobrenaturais' ao sujeito que por ele passa. Cito as mais importantes:

a) É muito comum que a pessoa se sinta ''fora do corpo'', ou dissociada dele, sobrevoando o local onde está morrendo. Neste estado, é capaz de discernir tudo o que está ao seu redor, incluindo aí os demais indivíduos e seus estados de ânimo. Isto ocorre ainda que o corpo se encontre inconsciente e incapaz de expressão pelas vias naturais. Trata-se de uma percepção por meios extra-corporais, portanto.

b) É praticamente universal a percepção do mundo espiritual por meio de sons, e, principalmente, do contato com anjos e demônios. Pelo menos dois anjos se farão presentes na morte do homem, o seu anjo da guarda e o seu anjo ''psicopompo'', que o acompanhará pelo mundo espiritual até o destino apontado pelo 'juízo particular' pelo qual vai passar. Os demônios, por sua vez, podem aparecer às centenas ou milhares, acusando e ameaçando o morto com faces monstruosas e iradas. Mas há também casos em que os demônios se apresentam belos, como seres de luz, provocando pensamentos, sentimentos e ilusões de boa-aventurança, de modo a tirar o foco do indivíduo daqueles últimos momentos em que pode se arrepender de seus erros e se voltar para Deus. A maneira mais eficaz de discernir as ilusões demoníacas nesse estado é lembrar que os anjos sempre evocam esta necessidade de metanoia, não necessariamente visões paradisíacas.

c) Outro fenômeno universal é a apresentação diante da consciência de todos os atos experienciados pela pessoa ao longo de sua vida. Eles podem se apresentar de modo rápido, em ordem cronológica, ou se situarem diante do sujeito todos ao mesmo tempo, simultaneamente. Seja como for, o indivíduo tem percepção nítida de todos eles, testemunhando-os com agudeza. Este período é mais uma oportunidade para a metanoia e para a gratidão a Deus.

d) O indivíduo também pode ter a visão de outras pessoas que estão morrendo no mesmo momento que ela. Também ocorre, mais raramente e no causo de algumas pessoas santas, que sejam recebidas por Santos, Apóstolos, pela Toda Santa e Pura Theotokos ou até mesmo por Cristo Nosso Deus.


2) Antes de continuar descrevendo o processo da morte de acordo com a Igreja, segundo descrito na obra ''Life after Death according to the Orthodox Tradition'', de Jean-Claude Larchet, faço cá um parêntese para expor certas posições do autor sobre as ''Experiências de Quase Morte'', ou seja, aqueles relatos de gente que chegou perto de bater as botas mas conseguiu sobreviver e relatar o que vivenciou naqueles momentos em que estava inconsciente ou com a morte clínica constatada pelos médicos. Há vários e vários relatos deste tipo, alguns deles surpreendentes, como o de cegos que, neste estado de morte clínica, foram capazes de contar depois tudo o que viram ao seu redor e até em outros cômodos. Há livros inteiros que reúnem este tipo de narrativa, classificando-as e retirando delas alguma forma de padrão. Um dos mais famosos é o ''Life after Life'', do Dr. Robert Moody. Muitos destes padrões são corroborados pela tradição ortodoxa. Essas experiências, porém, tem de ser lidas com cuidado por causa da possibilidade de interveniência de ilusões demoníacas.


3) Após descrever as percepções sobrenaturais que o sujeito vivenciadas pelo sujeito que se encontra diante da morte, a obra passa a abordar o processo em si e as diferentes etapas por quais passa a alma em seu caminho para a vida futura. Estas etapas são abordadas pela Ortodoxia a partir de uma representação cronológica dividida principalmente em três fases: até o terceiro dia após a morte clínica; do terceiro ao nono dia; do nono ao quadragésimo dia. É muito importante notar que esta representação possui uma natureza também simbólica. A temporalidade do mundo espiritual não é aquela vivenciada na realidade corporal, então não há porque esperar que estes períodos de tempo sejam exatamente aquilo que conhecemos no cotidiano. Há uma associação temporal mas que não é certamente unívoca. Outra questão bastante importante a ser ressaltada é a própria palavra ''processo''. Embora exista um momento exato da morte clínica, a separação entre alma e corpo não é algo instantâneo nem irreversível, mas se estende durante um determinado período de tempo. É este lapso de tempo que será abordado agora, os primeiros três dias após a morte clínica, em que a separação do corpo e alma ainda não é incontornável nem total ou completa.


4) Há uma tradição que afirma que o indivíduo ainda pode retornar à vida antes de completado este período de três dias após a morte clinica. Por isso há o costume piedoso de só enterrar o ente querido após o terceiro dia. Outra consequência desta tradição, segundo o autor, envolve a prática contemporânea da doação dos órgãos. Como a alma ainda se encontra muito ligada ao corpo nessa fase, seria desaconselhável a retirada de seus órgãos, pois isso poderia traumatizá-la e afetá-la de alguma maneira. Este tópico é controverso entre as várias jurisdições da Igreja, mas é comum um certo repúdio quanto a doação de certos órgãos, como o coração e os pulmões. Este repúdio se fundamenta no conhecimento sobre o papel do corpo e sua ligação com a alma inclusive após a separação entre ambos. Diferente das doutrinas que minimizam o papel e função do corpo no homem, encarando-o apenas como uma roupa que em nada afeta a personalidade, a Igreja ensina que a pessoa humana é composta por dois elementos complementares que existem um em função do outro em uma relação que se inicia com a vinda à existência do indivíduo e que não se esgota em nenhum momento, nem mesmo com a morte. Após a dita cuja, a alma retém potencialmente em si a memória e forma do corpo, bem como as faculdades que por ele se expressam. Da mesma maneira, há santos Padres, como Máximo o Confessor e Gregório de Nissa, que ensinam que os elementos que formam o corpo também guardam em si uma afinidade com a alma, de modo que, mesmo quando dissolvidos e espalhados pela criação, são conhecidos por ela, e continuam ainda 'pertencendo' àquela Hipóstase humana particular. É desta maneira que todo corpo humano é também uma relíquia, pois está ligado à personalidade que o possuiu. O culto cristão às relíquias se baseia nesta verdade, pois os elementos corporais não são venerados em si, mas é a pessoa à qual pertencem e a qual continuam ligados que é venerada através deles. [No caso dos santos, como são energizados por Deus, suas relíquias acabam também operando milagres.] O cuidado com o ente falecido é expressão não apenas de uma honra ao corpo, mas uma honra à pessoa humana, à qual este corpo está e sempre estará associada, inclusive após a morte. Em alguns países ortodoxos há o costume piedoso, por exemplo, de após cinco anos após o falecimento do indivíduo, exumar seus restos mortais, lavá-los com vinho e levá-los à Igreja para um serviço em memória, após o qual serão colocados em um ossuário na esperança da futura ressurreição. É por isto também que a cremação é repudiada pela Igreja e vista como uma forma ou intenção de aniquilação, desrespeito e desamor. Todo este cuidado com o corpo da pessoa humana, bem como os ritos funerários e de memória, encontram sua imagem na santas miróforas, que cuidaram do Senhor quando de Seu sepultamento.


5) A morte clínica em si é, em geral e independente da maior ou menor santidade da pessoa, muito angustiante e dolorosa para alma. A explicação para tal é que a separação entre alma e corpo é anti-natural, como descrito no item anterior. Isto posto, o evento pode ser facilitado ou dificultado pelas virtudes ou vícios que o sujeito carrega. Uma pessoa que levou vida piedosa e dedicada a Deus, retificando suas paixões e conquistando os dons do Espírito, tende a se elevar para o alto de modo muito mais simples, desvencilhando-se da carne sem maiores apegos. Há inclusive casos raros de santos que foram levados imediatamente para o Paraíso logo após a morte, tamanha a iluminação e glória possuíam. Mas, em geral, a pessoa possui um certo grau de virtude e vício que influenciará na sua partida deste mundo. Quando o indivíduo é muito apaixonado e apegado a essa realidade material e ao corpo há muitos obstáculos em sua partida, e alguns santos, como Santa Macrina e São Gregório de Nissa, explicam desta maneira a existência de fantasmas. Quando do falecimento, as faculdades anímicas ligadas ao corpo continuam fazendo parte da alma, mas em estado potencial pela falta dos meios necessários à sua expressão.


6) A partir da separação da alma e do corpo, a batalha pelo homem que teve lugar em toda a sua existência, se intensifica ou ganha novos contornos. Anjos e demônios se apresentam à hora da morte buscando levar a alma com eles. As imagens proporcionadas pela Igreja apresentam estes seres espirituais como dois exércitos colocados um de frente para o outro e prontos para a batalha pela alma. A pessoa vai se inclinar para cada um deles de acordo com suas tendências durante a vida e no momento da morte. Deve ser ressaltado que a alma mantém no além o estado apresentado no momento de sua morte. Depois disto, ainda que queira, ela não pode alterá-lo pela falta justamente do corpo e de seu ambiente, necessários à expressão da metanoia e de seus frutos. Após a morte, o estado da alma só pode ser alterado por uma intervenção outra, da Igreja e de seus santos, por meio das orações e serviços litúrgicos. Voltando à batalha pela alma, o momento da separação é como um julgamento, no qual os demônios tentarão reconhecer na alma as paixões que lhe são correspondentes e às quais ela mesma se escravizou durante sua vida terrena, a fim de arrastá-la com eles para o Hades. Nas imagens da Igreja, as almas tem de pagar aos demônios com os elementos de si próprias que são a afins às forças da escuridão, e os indivíduos que partem cheios de vícios são despedaçados por estes poderes das trevas. Outras imagens apresentam as almas que partem sendo defendidas pelos anjos, principalmente pelo anjo da guarda e pelo anjo psicopompo, citados na resenha anterior, e que reúnem todas as virtudes e bons atos praticados pelo indivíduo a fim de apresentá-los como compensação e livrá-los da garra das potestades do ar. O fato é que a alma enfrentará o terrível obstáculo dos poderes tenebrosos após a morte, que buscarão impedir sua subida até os céus e mergulhá-la e escravizá-la no inferno. Durante os três primeiros dias, a alma permanece na terra, sob a influência ou dos anjos ou dos demônios, em volta do seu corpo ou visitando os lugares que lhe sejam mais afins. No terceiro dia, que é simbolicamente associado à ressurreição de Cristo e à Sua saída do túmulo, se inicia sua ascensão até os céus para ser julgada diante do Trono do Senhor. Este processo, sintetizado nas imagens das batalhas entre anjos e demônios no momento da morte, é mais detalhado pelos santos nos ensinamentos sobre os 'telônios aéreos', dimensões associadas a uma hierarquia de paixões e nas quais, gradualmente, as almas são acossadas e atacadas pela fúria dos demônios que se reúnem em torno dela como 'leões prontos para devorá-la'. Este será o tema da próxima postagem.


"No post anterior [Parte 2] falava eu dos três períodos 'cronológicos' em que a Santa Tradição divide o processo da morte da pessoa até sua chegada no locus que lhe está 'reservado' no além. O fim de cada uma destas etapas é marcada por um dia de ofício específico na Igreja, realizados portanto ao terceiro, nono e quadragésimo dia após a morte clínica. Ressalto mais uma vez que esta contagem cronológica possui uma dimensão simbólica e não pode ser vista de maneira unívoca, pois nossa experiência espaço-temporal não pode ser transplantada pura e simplesmente para outras dimensões da existência diferentes da corpórea. Pois bem, no primeiro período a alma permanece na terra por três dias, durante os quais ela se deixa guiar ou pelos anjos que Deus coloca para guardá-la e orientá-la [o anjo da guarda e o anjo psicopompo] ou pelos demônios aos quais se fez afim durante a vida terrena. Nesta fase, a alma pode vaguear pelas regiões que quiser, ou ficando próxima do seu corpo, da sua casa, dos seus parentes ou dos locais dos quais se sente saudosa. No terceiro dia, associado com a Ressurreição de Cristo e com Sua saída do túmulo, a alma inicia sua ascensão até os Céus. Alguns santos, conforme expliquei, rumam para o Paraíso imediatamente após a morte, dada a vida piedosa que levaram e a concentração de todos os seus desejos em Cristo Nosso Deus. A maior parte das pessoas, no entanto, realiza uma ascensão gradual até o Trono de Cristo. Nesta 'subida' a alma tem de passar por aquilo que a Santa Tradição chama comumente de 'telônios aéreos'."


7) Na ascensão da alma pelos ares rumo ao Paraíso ela é acompanhada por anjos, principalmente pelo anjo psicopompo, encarregado de guiá-la até o Trono de Deus. Mas assim como no momento da morte existem batalhões de demônios prontos a arrastar a alma, assim também em seu vôo para Deus ela enfrenta oposição e resistência dos poderes das trevas, que se postam no caminho até o Paraíso e a investigam, inquirem e ameaçam de acordo com as paixões que possua e os pecados que tenha cometido. Os demônios se estabelecem no caminho da alma em ''estações'' progressivas, cada uma delas ligada a uma paixão ou a determinados tipos de pecado. Ao passar por casa uma destas estações, a alma é atacada por estes poderes, que buscam tirá-la das mãos do anjo da guarda e do anjo psicopompo e levá-la para os abismos do Hades. Em cada uma destas 'estações', ou 'telônios', os príncipes da obscuridade investigam se a alma possui aquilo que pertence a eles, demônios, ou seja, más paixões. Uma vez que estas paixões correspondentes aos telônios sejam encontradas, a alma, para prosseguir, deve 'pagar' com elementos de si mesma, ou então com virtudes e bons atos que compensem os maus feitos e os vícios. Nesta batalha, os anjos ajudam a alma reunindo tudo de bom que ela tenha feito como também as orações da Igreja que são feitas ao seu favor. Caso a alma não os possua de modo suficiente a passar por aquela estação específica, é arrastada pelos demônios a ela associados e fica sob seu poder, acorrentada e torturada, até que a Misericórdia de Deus a liberte. É a esta batalha nos ares que se refere a São Paulo quando afirma que nossa luta não é ''contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais''. Para passar ilesa pelos telônios aéreos, a alma deve ter corrigido suas paixões ainda em vida por meio do ascetismo, levado uma vida virtuosa, se arrependido de todos os seus pecados e os confessado ao pai espiritual, já que, por meio do mistério da confissão o Espírito Santo pode apagá-los do livro da vida. Todas as faltas, voluntárias e involuntárias, cometidas por palavras e atos, consciente ou inconscientemente, são trazidas à tona durante o confronto contra os demônios ''coletores'' ou ''publicanos'', que acusam a alma até mesmo do que ela não fez.


O ensinamento sobre os 'telônios aéreos'  não é  um dogma de fé mas está presente em virtualmente todos os Santos Padres que escreveram sobre a morte e também em textos litúrgicos da Igreja. Eles são, portanto, parte incontestável da Santa Tradição. Sobre eles falaram:
São Gregório de Nissa, São Paphnuntio, Sao Theodoreto de Cyrrhus, São Cirilo de Alexandria, São Gregório o Grande, São Simeão o Tolo de Cristo, São Máximo Confessor, São Theognostos, São Dorotheos de Gaza, São Hesíquio de Bastos, São Macário do Egito, São Nicetas Stethatos, São Simeão o Novo Teólogo, São João Crisóstomo, Santo Antão, São João Clímaco, Santo Abba Isaías de Scetis, São Gregório da Trácia, São João dos Cárpatos, Orígenes, São Justino Popovic, Santo Inácio Brianchaninov, São Diadochos de Foticeia, Santo Atanásio do Sinai, São João do Chipre, São Bonifácio apóstolo dos anglo-saxões, São Teófano o Recluso, São Macário de Moscou, São João Maximovich, São Serafim de Platina etc.
Está também presente em vários ofícios da Igreja, como a oração de Santo Eustratio, lida no Ofício da Meia Noite, e no Cânone de Súplica à Toda Santa e Pura Theotokos no momento da Partida da alma. É muito importante lembrar  que este ensinamento não deve ser tomado de maneira completamente literal e materializada, pois descreve uma dimensão da existência que só pode ser entendida por meio de comparações, analogias e símbolos. As imagens não devem se tornar fetiches. Por outro lado, como ensinou São Teófano o Recluso, estas mesmas imagens se referem a uma realidade, não são meras alegorias morais. São uma realidade espiritual que deve ser meditada e compreendida sem apego a ideias sensuais e cruas. Outro ponto a ser notado, é que as ''toll houses'', ou ''telônios aéreos'', não devem ser confundidos com a doutrina católica-romana do ''purgatório'', que é condenada na Igreja Ortodoxa e que será tratada de maneira mais precisa em outra parte do livro. Não se deve também pensar que após a morte a alma está sob poder total dos demônios, e sim compreender que quem não se fez completamente livre das próprias paixões e pecados durante a vida terrena, tampouco se libertará facilmente deles após a morte, pois, como já dito, a alma tende a manter o mesmo estado em que se encontrava no momento da separação do corpo, e, ainda que queira, não pode alterá-lo por si própria por causa justamente da falta do elemento corporal que possibilitaria sua metanoia.


Houve no fim do século passado algumas críticas aos ensinos sobre ''telônios aéreos'' realizadas por clérigos mal instruídos e que sustentavam doutrinas errôneas sobre o pós-morte [como o 'sono da alma', tratado noutra parte da obra de Larchet]. Mas elas são infundadas e já foram rebatidas não só por hierarcas mas inclusive por santos. Reproduzo cá trecho do livro que trata rapidamente destas críticas e do descrédito das dita cujas: ''Uma primeira acusação por parte [destes] autores[...] é que este ensinamento se baseia em apócrifos que possuem todos origem no Egito. Esta acusação não se sustenta: vimos que os testemunhos hagiográficos e patrísticos possuem uma base muito ampla no tempo e no espaço. Uma segunda acusação é de que este ensinamento possui origem na religião dos antigos egípcios e em crenças gnósticas. Indubitavelmente há uma analogia, mas é também verdade de muitas outras crenças cristãs (numerosos exemplos desta área podem ser encontrados nas obras de Mircea Eliade) sem que se possa colocar em questão seu caráter cristão: os dois conjuntos de crenças estão associados a contextos espirituais e teológicos irreconciliáveis (veja as considerações feitas sobre isto pelo Metropolita Hierotheos Vlachos, em ''Vida após a Morte'', pp. 77-78)[...]''.


A alma que passa pelos telônios está diante dos portões do Paraíso. Mas antes de seu juízo particular, ela tem de conhecer os Infernos e os Céus, por quais passa entre o nono e o quadragésimo dia após a morte clínica.



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